O surto de gripe que se espalha Brasil afora desde o começo de dezembro leva uma preocupação a mais para os brasileiros em meio ao enfrentamento à pandemia de Covid-19. Nas últimas semanas, o País assiste a uma escalada de casos de síndromes gripais. A procura pelas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Fortaleza relacionada ao vírus H3N2, subtipo do Influenza, cresceu mais de sete vezes no último mês do ano, chegando a atingir cerca de 3.500 atendimentos diários. Quem vai à rede de saúde também leva consigo uma dúvida cada vez mais recorrente: é possível contrair o novo coronavírus é o H3N2 ao mesmo tempo?

    A resposta para o questionamento pode ser encontrada aqui mesmo no Ceará. É que o Estado já contabiliza pelo menos três casos de “flurona” — nome dado à coinfecção pelo vírus causador da gripe e o Sars-Cov-2, da Covid-19. Segundo a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), os diagnosticados são dois bebês de um ano e um homem de 52 anos. As crianças chegaram a ser internadas em unidades de saúde privadas, mas já receberam alta. Já o adulto cumpre isolamento domiciliar e vem sendo monitorado por uma equipe médica.

   Os casos foram registrados nas duas últimas semanas de dezembro, em Fortaleza, segundo a Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica e Prevenção em Saúde (Covep), vinculada à Sesa. Exames de sequenciamento genético deve apontar, nos próximos dias, por quais variantes do coronavírus e da Influenza eles foram infectados.

   Do outro lado do mundo, em Israel, o primeiro caso da dupla infecção atingiu uma jovem grávida, que teve apenas sintomas leves de ambas as doenças. O registro foi confirmado no começo da semana. Segundo as autoridades locais, que consideram o caso como um evento raro, a mulher ainda não havia tomado as vacinas contra a influenza ou Covid-19.

   Após a confirmação da coinfecção, o diretor do Departamento de Ginecologia do hospital onde a jovem estava internada, Arnon Vizhnitser, alertou sobre a necessidade da população redobrar os cuidados contra contrair os dois vírus, já que ambos atacam diretamente e simultaneamente o sistema respiratório.

   A virologista Luciana Costa, professora do Instituto de Microbiologia e do Laboratório de Genética e Imunologia das Infecções Virais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que se os dois vírus estiverem circulando ao mesmo tempo, é possível que o ser humano os contraia através das vias de transmissão aérea. Como esse é o cenário vivenciado atualmente no Brasil, o fato não deve ser considerado um evento raro.

    Especialistas têm reafirmado que a melhor forma de se proteger dos dois patógenos é através da imunização. Robério Leite, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) e diretor da Regional Ceará da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm-CE), afirma que há uma grande preocupação em relação às campanhas de vacinação. No caso da Influenza, a cobertura se manteve abaixo do esperado em 2021. Na mesma linha, ainda há cerca de 20% da população cearense que ainda não compareceu aos postos de saúde para tomar a segunda dose da vacina contra a Covid-19.

   Os profissionais são unânimes em ressaltar que, quanto menos pessoas estiverem vacinadas, maiores serão as chances de coinfecção.

O POVO