Para enfrentar a alta de casos de síndrome gripal, o Comitê Estadual de Combate à Pandemia deliberou a aplicação de novas medidas, anunciadas no início da tarde desta sexta-feira (14/01) pelo governador Camilo Santana, através de transmissão ao vivo pelas redes sociais. São elas: recomendação de adiamento, por duas semanas, do início das aulas para estudantes de até 11 anos; limitação do público dos estádios a 30% da capacidade; e obrigatoriedade da máscara padrão N95 ou similar para trabalhadores de farmácias, supermercados e escolas.

No caso do adiamento da volta às aulas para ensino fundamental e educação infantil, a recomendação é especialmente direcionada às unidades que previam iniciar o ano letivo na próxima segunda-feira (17). O novo prazo é importante para assegurar a aplicação da primeira dose de imunização deste público e viabilizar nova avaliação do cenário epidemiológico. “Continuamos com aumento muito forte da Covid. A ômicron tem agressividade muito forte, do ponto de vista da velocidade de disseminação do vírus. Portanto, precisamos manter todos os cuidados necessários para diminuir essa transmissão. É um momento forte [dos números] da positividade e do atendimento assistencial, principalmente nas Unidades Básicas de Saúde”, justificou Camilo Santana.

Em todo o Ceará, a taxa de exames positivos para a presença do novo coronavírus tem crescido progressivamente, apontou o secretário da Saúde do Estado, Marcos Gadelha, que também participou da transmissão ao vivo ao lado do governador. “Em Fortaleza, a positividade chegou a quase 45%. Isso significa que, de cada 100 pessoas que fizeram o exame, quase metade está com exame positivo, refletindo essa alta transmissibilidade dessa nova variante, a ômicron. A quantidade de atendimento nas unidades básicas de Fortaleza tem aumentado bastante. Outra porta de entrada do sistema de saúde são as UPAs, onde o número de atendimento tem chegado a quase mil atendimentos diariamente, uma mistura de síndrome gripal, Covid-19 e não-Covid”, resumiu Marcos Gadelha.

Ainda assim, “a grande maioria dos sintomas das pessoas que estão vacinadas são muito leves. A maior parte das pessoas que estão precisando de internação são aquelas que não se vacinaram ou não tomaram dose de reforço. Por isso, é importantíssimo tomar as doses de reforço”, reiterou o governador. “Além disso, o que tem agravado esse quadro da Covid-19 [nas unidades de saúde], são as síndromes respiratórias, principalmente a influenza A”, completou Camilo Santana.

Marcos Gadelha chancelou a fala do governador detalhando que a busca por assistência não tem se refletido em demanda por leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). “A gente tem ficado um pouco menos preocupado porque isso não tem pressionado os hospitais em termos de UTI. Nós estamos nos antecipando e abrindo leitos diariamente, abrindo Unidades de Terapia Intensiva no Hospital Leonardo da Vinci e nas várias regiões de Saúde do Estado”.

Camilo Santana apontou que as ações de combate à pandemia, além da expansão do atendimento médico também estão voltadas à detecção dos casos. “Nós dobramos os pontos de coleta de testagem no Ceará, e estamos distribuindo testes para os municípios cearenses. Na próxima semana, vamos anunciar apoio financeiro a todos os municípios para enfrentar esse momento dessa nova onda da pandemia, porque triplicou o atendimento nas unidades básicas de saúde. Estamos todos os dias ampliando leitos, principalmente leitos de UTI, e preparando toda a rede para atender os casos mais graves no Ceará”, anunciou.