O cigarro eletrônico, também chamado de vaper, ganhou popularidade entre os jovens como uma alternativa menos nociva à saúde do que o cigarro convencional, partindo da premissa de que ele não queima tabaco para liberar nicotina.

Embora não possua muitas das substâncias tóxicas do tabaco, o vaper tem grande concentração de nicotina – uma substância altamente viciante – e libera outros componentes.

“O dispositivo tem um depósito onde é colocado um líquido concentrado de nicotina, que é aquecido e inalado. Esse líquido possui um produto solvente e um químico de sabor. Ou seja, não temos dúvidas de que o cigarro eletrônico faz mal”, afirma o oncologista Carlos Gil Ferreira, presidente do Instituto Oncoclínicas.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), os cigarros eletrônicos podem causar doenças respiratórias, como o enfisema pulmonar, doenças cardiovasculares, dermatite e câncer.

Inalar vapores quentes também pode causar danos para a boca e a garganta. Outro problema é que, por não haver regulamentação para o uso de cigarros eletrônicos no Brasil, é impossível atestar a procedência e a padronização dos líquidos usados no dispositivo.

Químicas para o sabor

Um estudo realizado pela Universidade de Duke, nos Estados Unidos, descobriu que os fabricantes de cigarros eletrônicos estão usando níveis excedentes de substâncias que dão a sensação de mentolado nos produtos.

Os cientistas encontraram níveis das toxinas WS-3 e WS-23 acima dos considerados seguros pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no fluido. “Os fabricantes de cigarros eletrônicos estão ‘voando às cegas’ ao adicionar esses produtos químicos”, disseram os autores do estudo.

Adesão entre jovens

Um a cada cinco jovens com idade entre 18 e 24 anos usa cigarros eletrônicos no Brasil, segundo dados do estudo Covitel, do Ministério da Saúde.

“Doenças causadas pelo cigarro eletrônico têm surgido precocemente, ceifando vidas, a maioria de jovens”, afirma o cirurgião oncologista Florentino Cardoso, titular do Conselho Federal de Medicina e diretor-executivo médico do Hospital Care, em Campinas.

A doença respiratória subaguda severa é a mais comum, especialmente entre os jovens. Os principais sintomas são dificuldade para respirar, tosse e dor torácica.

 Metrópoles